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Jornada23

Uma portuguesa a viver em terras de sua Majestade desde 2014.

Jornada23

Uma portuguesa a viver em terras de sua Majestade desde 2014.

Ás vezes

Sinto algo estranho. Parece na realidade que não estou a viver num país assim tão distante de Portugal. Claro que as diferenças são notáveis mas por vezes sinto-me confortável "demais", será que me estou a acostumar? 

Há dias que passeio nas ruas e já as conheço tão bem, bem como as caras dos vizinhos e os cães dos mesmos,  que me sinto em "casa". Vou para a loja e tenho imensos colegas portugueses que creio que os restantes se sentem mais em Portugal do que no Reino Unido. Sabe bem sentir aquele povo ao nosso redor, estas pessoas que, por mais que tenhamos uma história de vida diferente, sentimos o prazer de socializar e partilhar. A verdade é que também sinto saudades das minhas italianas e das minhas meninas do Uzbequistão, elas fizeram parte do meu dia - a - dia, seis dias por semana, do meu último ano e isso também se ressente. É verdade que muitas (mesmo muitas!!) vezes sinto saudades do calor de Portugal e daquele clima ameno, mas há dias que já estou tão habituada a este clima que é tão imprevisível. Também há dias que uma chamada de Skype me sacia a saudade, ou uma chamada telefónica. Outros só me apetece voltar às origens e fazer coisas que antes eram tão banais. 

Ainda há pouco a minha mãe perguntou-me o que queria fazer quando fosse a Portugal. Sabem o que queria mesmo? Chegar a casa dos meus avós, comer a dourada ou carapau assado. Ir com o meu avô ver os novos coelhinhos que nasceram. Ouvir o meu tio gozar comigo vezes e vezes sem conta mas no final dizer que sou a sobrinha favorita. Brincar com a cadela, dar banho e cortar o pêlo ao cão. Convidar os meus primos para um cinema a três. Tentar dormir na minha cama antiga e ir bater 3 ou 4 vezes à porta do meu irmão para lhe pedir para baixar o volume da sua voz. Passear com os meus pais, fazer as coisas banais que sempre fazíamos. Deixar o meu pai fazer-me as vontades e a minha mãe arranjar-me o cabelo (a única pessoa que tem permissão para me arranjar o cabelo!!). Abraçar o meu cão vezes e vezes sem conta. Conduzir o bogas (que saudades....!). Subir as escadas com o meu cão e ir à melhor amiga que vive em cima de mim. Rir-me com ela, sobre ela, sobre mim. Contar e partilhar. E no final disto tudo voltar a Londres, de coração cheio.

 

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O que dizer a quem vai viver noutro país

Hoje, quando fui ver as minhas estatísticas do blog reparei que encontraram o meu blog ao pesquisar por "o que dizer a quem vai viver noutro pais". Nunca fiz um post deste género, mas acho que não se perdia nada.

A verdade é que cada pessoa tem diferentes expectativas do que pretende ouvir ou do apoio que pretende ter das diversas pessoas que completam a sua vida, mas existe umas quantas coisas que acho que se aplicam à maioria:

Respeito: A verdade é que existe sempre aquele conhecido, amigo ou familiar que nunca irá apoiar a saída do país, ora porque devemos permanecer no nosso cantinho até à morte, ora porque no nosso país é que apoiamos a economia, ora porque "abandonar" a família e partir em busca do desconhecido não faz sentido, etc etc etc. E é por estas e por outras que no final só pedimos respeito, pela nossa decisão.

 

Comunicação : Sim, a verdade é que fomos viver a não sei quantos mil kilómetros de distância e agora estamos à espera de ter visitas de familiares e amigos dia sim dia não? Óbvio que não, mas isso não implica que a comunicação não se mantenha. Quem vai sair do país derrete-se facilmente com uma chamada de skype, pelo telefone ou mesmo por receber uma surpresa pelo correio por isso antes de partirmos o que queremos mesmo ouvir é que qualquer método de comunicação será explorado para encurtar a distância real.

 

Sentimentos: Quem sai do país já leva um misto de ansiedade/tristeza no coração e muitas vezes com o passar do tempo apercebe-se que determinados amigos passaram a ser somente conhecidos. Ouvir daqueles que nos são mais próximos que a "nossa" amizade ou amor, carinho ou preocupação não será alterado com a distância são palavras mágicas para quem vai sair do país. (Mas é para cumprir, sim!?!)

 

Basicamente acho essencial que quem está do outro lado consiga mostrar compreensão e respeito pela decisão de quem vai sair do país. Para completar seria ideal mostrar para a pessoa que a relação destas será apenas diferente na distância e nos meios que usarão para comunicar porque de resto, tudo será igual.

 

 

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