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Jornada23

Uma portuguesa a viver em terras de sua Majestade desde 2014.

Jornada23

Uma portuguesa a viver em terras de sua Majestade desde 2014.

Tic Tac

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 Quinta feira chorei para xuxu. Ouvi que o meu Line manager ia de férias e só voltaria em Setembro...para mim, ter a certeza que vou voltar para Portugal e só dizer aos meus chefes com um mesito e pouco de antecedência seria uma facada nas costas, especialmente quando estou a preparar já tudo. 

Decidi contar. Primeiro ao Line manager, depois com o management completo que inclui ele e os meus dois team leaders. Oh minha gente! O quanto eu chorei, o quanto senti aquele aperto a dizer "I'm going back to Portugal", foi um misto ! Foi o finalmente deitar cá para fora e aceitar que vai acontecer e que, no final tem tanto de entusiasmante como de receoso. Eu chorei, a minha chefa ficou chocada e disse não conseguir dormir nessa noite,o meu chefe chorou e o meu line manager só me dizia que acabei de lhe tirar um braço direito.  Eu chorei porque tenho ali uma equipa que acredita em mim, que trabalhei muito mas muito para que hoje já não fosse preciso provar o quanto valho porque já todos o sabem. Desculpem, e obrigada. Este é o começo da contagem decrescente.

Reencontro

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 Nós fomos como unha e carne durante um dos períodos mais exaustivos da nossa vida : a faculdade. 

Nós juntámos as capacidades uma e da outra e fomos capazes de nos apoiar nos bons e maus momentos, nos mais stressantes e nos outros tantos. Estavamos lá, 5 dias por semana, durante aulas e estágios sempre a apoiar. Ela foi sem dúvida a pessoa que marcou a minha fase universitária mas como é normal o mundo atirou-nos de volta para as nossas cidades e, no meu caso, para Inglaterra. 

A distância fez com que deixassemos de falar tanto, ocasionalmente havia uma conversa ou outra apenas. Quando ela me disse que vinha a Londres quis ir vê-la , estar um pouco com ela que seja. 

Sabem quando vocês não vêem uma pessoa à anos , neste caso 6 anos, e não sabem o que esperar ?? Será que somos as mesmas ? Que as nossas conversas vão fluir com antigamente ? Que ainda temos algo em comum? 

Isso tudo se foi nos primeiros segundos, continuamos igual, apenas com mais histórias de vida para partilhar, e soube bem revê-la e poder estar de novo com alguém que já esteve tão presente na minha vida.

 

Londres - 1 mês

E ontem fez exatamente 1 mês que chegámos a Terras de Sua Majestade. Foi um sábado intenso, do qual ainda não falei nem quis refletir muito sobre ele. Por um lado (e mais importante do que tudo) tive ao meu lado, ou a apoiar-me, as pessoas que mais aprecio na vida. Tive medo, quis ser forte, quis mostrar que tudo iria correr bem mesmo estando a viajar para o desconhecido. Despedi-me daquele quarto, daquele prédio, daquela rua. Despedi-me do meu bebé, e custou! Passei a viagem toda firme - não ia chorar. Até que a minha mãe começou a chorar e dei-lhe a mão. Vim a maior parte da viagem assim, de mão dada com a minha mãe, outra mão dada com o príncipe e com a mana a agarrar-me. A chegada ao aeroporto fez-se de forma mais descontraída, estávamos tranquilos, ansiosos e alegres. Eu tentei sair do país em paz, a obra do destino não deixou e mais uma vez fez-me, não dar menos valor a certas pessoas, mas sim valorizar imenso os que tenho junto a mim. A hora da despedida foi intensa e desconcertante (só de me lembrar...), pela segunda vez na minha vida vi o meu pai chorar, e como isso dói! A mãe chorou, eu chorei, o príncipe chorou, a mana chorou, só o irmão é que se aguentou mais firme (sabe-se lá se não deitou uma lágrima sorrateiramente). A viagem correu bem, a chegada a casa correu bem.

Em um mês, já tenho trabalho. Em um mês, já procuramos um sítio onde viver - os dois, sem mais ninguém, só eu e o príncipe. Em um mês já chorámos, rimos, tememos, aventurámo-nos (nunca andei tanto na minha vida eheh) e vivemos muito. Em um mês estamos ainda a descobrir Londres. Em um mês as saudades já apertaram. Em um mês já tive tendência a ir procurar o meu bebé. Já tive tendência em querer dizer à mana "Estás em casa?" pensando eu, que ela ainda vivia no andar de cima. Faz um mês que somos só eu e ele. Faz um mês que o príncipe não fuma (yeeaaah!). Faz um mês que tudo começou.

Eu estou bem, nós estamos bem. Londres é um sonho, mas é preciso força quando queremos sonhar mais além.

 

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