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Jornada23

Uma portuguesa a viver em terras de sua Majestade desde 2014.

Jornada23

Uma portuguesa a viver em terras de sua Majestade desde 2014.

Tic Tac - último turno

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 Último turno minha gente! Últimas patrulhas, últimas conversas com os residentes e colegas, trabalho feito e pronto para ser levado a cabo por outro alguém.  Foram 2 anos e meio de Hostel. 2 anos e meio cheio de incidentes, confusões, expulsões, abusos verbais e psicológicos  chantagens, alegrias, novos começos , conhecer pessoas com histórias e corações extraordinários, mas acima de tudo 2 anos e meio a dar de tudo para me representar, aquilo que sou e aquilo que quero dar de mim. Aprendi tanto, tanto!! E nessa longa aprendizagem não há resumos, mas uma longa história que agora faz parte de mim. 

Último turno, novo começo. 

De pernas para o ar

O Mundo pode virar de pernas para o ar assim, num ápice! De uma forma incontrolável e imprevista. Ah, vida. Ontem recebi uma mensagem do meu irmão onde dizia que a minha avó tinha tido um AVC, um forte. Foi internada, transferida para o HGO e sedada, em fase de recuperação.  O meu Mundo caiu, ainda ontem falava com ela ao telefone e estava entusiasmada por me ter em Portugal daqui a 3 semanas, sempre que me despedia dela em Portugal dizia " Para a próxima quando voltares já não estou cá eu". O não estar lá, não saber ao pormenor o que se passa deixa-me sem chão. Hoje está melhor, dizem que terá recuperação mas será bastante longa, ainda mais tendo em conta que ela já tem 89 anos. Há-de correr tudo bem, se Deus quiser, e ele há-de querer. A minha avó não é um sra de 89 com doenças imensas e limitações, anda tudos os dias na quinta a plantar, a alimentar os animais e aos fins de semana vai à feira vender , ela tem força e irá recuperar, quero crer que sim! ❤

 

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Tic Tac - Adeus casa

Adeus minha casinha, adeus minha casinha de bonecas que quase não dava para nos mexer ou fazer grandes mudanças.  Contigo passámos muitos bons e também maus momentos! Tivemos família a visitar-nos, tivemos encontro de amigos, tivemos dias de dança, jogos e filmes mas também tivemos maus momentos. Esta casa albergou sorrisos e choros, idas e voltas, boas vindas e despedidas. 

Tenho à minha frente quatro sacos e é isso. O resto já foi ontem para casa dos conterrâneos. Agora estou à espera de alguém da agência, para vir ver o estúdio e poder devolver o depósito, está quase...e eu nao me quero emocionar porque ainda agora a jornada começou .

 

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Londres - 1 mês

E ontem fez exatamente 1 mês que chegámos a Terras de Sua Majestade. Foi um sábado intenso, do qual ainda não falei nem quis refletir muito sobre ele. Por um lado (e mais importante do que tudo) tive ao meu lado, ou a apoiar-me, as pessoas que mais aprecio na vida. Tive medo, quis ser forte, quis mostrar que tudo iria correr bem mesmo estando a viajar para o desconhecido. Despedi-me daquele quarto, daquele prédio, daquela rua. Despedi-me do meu bebé, e custou! Passei a viagem toda firme - não ia chorar. Até que a minha mãe começou a chorar e dei-lhe a mão. Vim a maior parte da viagem assim, de mão dada com a minha mãe, outra mão dada com o príncipe e com a mana a agarrar-me. A chegada ao aeroporto fez-se de forma mais descontraída, estávamos tranquilos, ansiosos e alegres. Eu tentei sair do país em paz, a obra do destino não deixou e mais uma vez fez-me, não dar menos valor a certas pessoas, mas sim valorizar imenso os que tenho junto a mim. A hora da despedida foi intensa e desconcertante (só de me lembrar...), pela segunda vez na minha vida vi o meu pai chorar, e como isso dói! A mãe chorou, eu chorei, o príncipe chorou, a mana chorou, só o irmão é que se aguentou mais firme (sabe-se lá se não deitou uma lágrima sorrateiramente). A viagem correu bem, a chegada a casa correu bem.

Em um mês, já tenho trabalho. Em um mês, já procuramos um sítio onde viver - os dois, sem mais ninguém, só eu e o príncipe. Em um mês já chorámos, rimos, tememos, aventurámo-nos (nunca andei tanto na minha vida eheh) e vivemos muito. Em um mês estamos ainda a descobrir Londres. Em um mês as saudades já apertaram. Em um mês já tive tendência a ir procurar o meu bebé. Já tive tendência em querer dizer à mana "Estás em casa?" pensando eu, que ela ainda vivia no andar de cima. Faz um mês que somos só eu e ele. Faz um mês que o príncipe não fuma (yeeaaah!). Faz um mês que tudo começou.

Eu estou bem, nós estamos bem. Londres é um sonho, mas é preciso força quando queremos sonhar mais além.

 

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