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jornada23

jornada23

6 !

São 6 os dias que tenho que trabalhar seguidos , no turno da manhã, que é o que mais dói no final da semana ! Após os 6 dias tenho que estar as 4.30 da manhã a apanhar o autocarro para o aeroporto ! Chego a Portugal e passados 3 dias estou de volta !! Ah desgraça eh eh já estou velha para estas andanças!

O que os outros pensam vs Realidade

Que tema meus senhores! Vamos lá! Algumas coisas parvas que ouves das pessoas em Portugal quando dizes que vocês vivem em Londres e a realidade ( a nossa ! )

 

"Vivo em na zona 2/3 de Londres !"

O que os outros pensam - esta gente é chique. para além de viver em Londres ainda se dão ao luxo de viver apenas a 30 minutos do centro.

Realidade - pago uma fortuna para viver nesta zona e para viver num Studio/ casinha de barbies e mesmo assim pago outra mini fortuna por dois passes mensais para ir trabalhar.

 

"Viajo entre 3 a 4 vezes por ano a Portugal" 

O que os outros pensam - Epah! Isto sim é vida, viagens e passeio a toda a hora! Haja dinheiro. 

Realidade - Viajo 3 a 4 vezes por ano, faço viagens de curta duração para não ter que ficar longe de quem gosto durante tantos meses seguidos. Faço questão de fazer assim pois posso estar presente em mais datas especiais. O que gasto numa viagem pela Ryanair nao gasto em cafés, em saídas nocturnas ou outros divertimentos. 

 

"Ja visitei outros paises"

O que os outros pensam - Vai-se queixar da distância, das saudades etc etc mais volta e meia vai laurear a pevide para outros países. 

Realidade - Sim senhor, para visitar outros países é preciso dinheiro, mas não tanto como pensam. Um voo de Londres para qualquer destino europeu é ao preco da chuva se for bem planeado. Um voo daqui a Mallorca consegue-se a 30 libras, daqui a Marraqueche idem aspas. Consigo um autocarro daqui a Bruxelas por 12 libras e até daqui a outros tantos sítios de avião por menos de 10 libras (Escócia, Dinamarca, França, Irlanda,...). Organização e pesquisa acima de tudo.

 

"Tenho este aparelho eletronico, esta consola de jogos, comprei esta roupa nova ..."

 

O que os outros pensam - (dinheiro a chover, dinheiro a chover)

Realidade - Segunda mão, segunda mão, segunda mão (roupa de marca a 2 libras, consola de jogos a 20 libras..). Ah e apanhar coisas na rua, porque o príncipe é perito nisso (ja foram 4/5 plasmas a trabalhar em condições, entre outras coisas).

 

Penso que está um resumo bem pomposo. Meus senhores, eu não me queixo das outras pessoas e muito menos me preocupa o que dizem. Sei muito bem que existem portugueses a viver noutros países que ajudam a que a imagem do portugues lá fora seja muito estereotipada. Se fazemos coisas que não podemos fazer em Portugal? Sim e não. Depende. Também deixamos de fazer muita coisa, mas foi uma escolha nossa, lá está. Se tentamos uma vida melhor lá fora o coração encolhe cada vez que nos lembramos o que perdemos na nossa terra natal. Isto é como um jogo. Um jogo de prioridades, um jogo em que diariamente te sentes confusa se estás a fazer o mais correcto para a tua vida e estes comentários e pensamentos não ajudam. 

 

P.s. Só para que conste, estou numa fase "Vamos voltar para Portugal POR FAVOOOOR! " - que isto de viver no estrangeiro também traz dos seus dramas. 

 

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Não entendo este mundo

Não entendo este mundo. Antes lembro-me bem das minhas preocupação quando ia visitar um país: ser roubada por entre a multidão de turistas, se os preços praticados não estariam modificados por eu ser turista, se me ia conseguir safar facilmente na cidade, enfim coisas que passam pela cabeça de qualquer viajante. Hoje em dia tudo mudou...esta já não a minha cidade para turismo mas sim a cidade onde vivo. A zona de Westminster não é só a zona turística onde vou de vez em quando e onde levo as minhas visitas , é também o sítio de passagem caso queira ir a outro lado qualquer, é o também ao lado da sede do meu trabalho, onde tenho treinos lá frequentemente. A zona de London bridge igual...ja não é apenas um sítio turístico, é também a zona do meu banco português onde tenho que ir tratar de documentos , é um local que dá para ir lá relaxar e fazer um passeio à beira mar.. posso deixar de pensar nos últimos acontecimentos ? Sim...Não...daqui a 4 semanas vou ter uma criança de 8 anos comigo durante 13 dias, enquanto o ano passado fomos passear onde nos desse na cabeça este ano o receio vai-nos deter em muita coisa. Desejo toda a paz para estas famílias , seja em ataques aqui ou noutro local do mundo. Ninguém deveria poder escolher a hora da nossa morte.

Trabalhar em Londres- a minha experiência!

Ora este é um tema que me faz recordar muito daquilo pelo qual já passei ! Não levem a mal, aprendi bastante com os meus trabalhos mas também foram a causa dos meus maiores problemas ! * Assistente de loja numa loja de souvenirs- este foi o meu primeiro trabalho aqui em Londres! Não achei que fosse mal ao início, afinal eu só queria um trabalho , fosse ele qual fosse. Este trabalho consigo passadas duas semanas de aqui estar, foi tudo muito rápido! Enviei um currículo e no dia seguinte fui chamada para entrevista, um dia depois da entrevista a loja abriu- novinha em folha. A loja ficava situada no centro , em picadilly o que , de vez em quando, me dava uma raiva imensa porque até lá chegar tinha que passar por ruas com imenso trânsito e multidões. O trabalho não era muito complicado, tínhamos dois turnos que cobriam a loja desde as 9h às 24h e trabalhávamos 6 dias por semana. Este foi o meu primeiro grande impacto cultural ! Os meus colegas eram italianos , indianos , afegãos, espanhóis, da Mongólia, do Uzerbequistão,... é isso no início mexeu muito com a minha rotina, para além de que os clientes eram por norma turistas o que também dificultou a melhoria do meu inglês ao início. O desejo de sair da loja esteve sempre presente , eu já não tinha capacidade para estar num sítio onde via o staff a trabalhar tantas horas , a ser prejudicado injustamente ou a ser vítima de abuso psicológico, no entanto aquilo era a garantia que tínhamos ao final do mês. Passado um ano a loja fechou e, apesar do head office me ter contatado para eu ser recolocada noutra loja eu rejeitei

* Assistente de loja numa loja de desporto - este foi o meu terceiro trabalho ( o anterior apenas durou 2 semanas porque decidi aceitar este como full time). Este trabalho teve a duração de cerca de 1 ano e meio e foi tão duro psicologicamente como fisicamente mas que me deu uma imensa aprendizagem! Foi lá que conheci pessoas muito boas e finalmente tive a oportunidade de me dar com portugueses ( o que acabou por resultar em boas amizades). Este meu trabalho já foi aqui muito falado e seria bater um pouco na mesma tecla mas resumidamente consumiu a minha paciência, simpatia e optimismo. Tinha alturas em que simplesmente não conseguia ver-me a trabalhar mas a capacidade para procurar algo melhor era mínima, a minha motivação estava em baixo e acumulei dia após dia este peso. Foi aqui que conheci do pior management até então, a consideração pelos trabalhadores é quase nula tal como a capacidade de os motivar ou elogiar quando assim é justo. Por norma trabalhava 5 dias por semana , das 10 as 21.30h ( quando era possível fazer um fecho relativamente cedo !) * Assistente de apoio social - este é o meu actual trabalho , aquilo pelo qual tenho procurado desde que aqui cheguei ! Finalmente tenho a oportunidade de ter experiência na área social e, assim que possível, aplicar para a ordem dos trabalhadores sociais para conseguir trabalhar como uma Educadora Social! O meu trabalho baseia-se no apoio ao residente, residente este que foi previamente sem abrigo, pode ou não ser alcoólico ou ter outro tipo de relação de abuso com drogas, pode ser ex recluso ou vítima de abuso. O nosso trabalho é o apoio e a ajuda para saírem deste acolhimento e serem capazes de alugar a sua própria casa e ter uma vida livre de drogas ou delitos. Trabalhamos 5 dias por semana e os turnos são cobertos entre as 8 e as 21.30h. Este, tentando ser breve, foi o meu percurso até agora aqui em Londres. Eu sei que cada caso é um caso mas nunca me senti negligenciada ou excluída por ser estrangeira. A capacidade e a motivação de cada um de nós é que nos leva muitas vezes para um caminho em que começamos a ter pena de nós mesmos e, deste modo, a sentirmo-nos desvalorizados numa sociedade onde a diversidade e a preserverança reina.

Fui às compras

Mas acho que ainda penso que vivo em Portugal. Sem contar com umas calças o resto das minhas compras foram :

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Isto sim, alcinhas, calções, costas abertas!! Agora só falta o sol...

Ás vezes

Sinto algo estranho. Parece na realidade que não estou a viver num país assim tão distante de Portugal. Claro que as diferenças são notáveis mas por vezes sinto-me confortável "demais", será que me estou a acostumar? 

Há dias que passeio nas ruas e já as conheço tão bem, bem como as caras dos vizinhos e os cães dos mesmos,  que me sinto em "casa". Vou para a loja e tenho imensos colegas portugueses que creio que os restantes se sentem mais em Portugal do que no Reino Unido. Sabe bem sentir aquele povo ao nosso redor, estas pessoas que, por mais que tenhamos uma história de vida diferente, sentimos o prazer de socializar e partilhar. A verdade é que também sinto saudades das minhas italianas e das minhas meninas do Uzbequistão, elas fizeram parte do meu dia - a - dia, seis dias por semana, do meu último ano e isso também se ressente. É verdade que muitas (mesmo muitas!!) vezes sinto saudades do calor de Portugal e daquele clima ameno, mas há dias que já estou tão habituada a este clima que é tão imprevisível. Também há dias que uma chamada de Skype me sacia a saudade, ou uma chamada telefónica. Outros só me apetece voltar às origens e fazer coisas que antes eram tão banais. 

Ainda há pouco a minha mãe perguntou-me o que queria fazer quando fosse a Portugal. Sabem o que queria mesmo? Chegar a casa dos meus avós, comer a dourada ou carapau assado. Ir com o meu avô ver os novos coelhinhos que nasceram. Ouvir o meu tio gozar comigo vezes e vezes sem conta mas no final dizer que sou a sobrinha favorita. Brincar com a cadela, dar banho e cortar o pêlo ao cão. Convidar os meus primos para um cinema a três. Tentar dormir na minha cama antiga e ir bater 3 ou 4 vezes à porta do meu irmão para lhe pedir para baixar o volume da sua voz. Passear com os meus pais, fazer as coisas banais que sempre fazíamos. Deixar o meu pai fazer-me as vontades e a minha mãe arranjar-me o cabelo (a única pessoa que tem permissão para me arranjar o cabelo!!). Abraçar o meu cão vezes e vezes sem conta. Conduzir o bogas (que saudades....!). Subir as escadas com o meu cão e ir à melhor amiga que vive em cima de mim. Rir-me com ela, sobre ela, sobre mim. Contar e partilhar. E no final disto tudo voltar a Londres, de coração cheio.

 

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Segurança

Hoje mal abri o sapo vi o destaque de um post que, principalmente pelo título, me chamou a atenção e resolvi ler. Fiquei chocada e triste. Como é possível, digam-me? 

Desde que cheguei a Londres devo confessar que das coisas que mais me agradou foi a segurança "Ah e tal e quando essa cicadezita está em alerta devido às ameaças terroristas???" ok, é verdade. Aqui mais do qualquer coisa a ameaça terrorista encontra-se num nível elevado mas não podemos propriamente parar a nossa vidinha e pensar que isso poderá acontecer a qualquer hora em qualquer lugar até porque, tal como aconteceu recentemente na Tunísia, o local é sempre improvável.

Em Londres sinto que posso andar à vontade, seja de dia ou de noite. As câmaras ajudam, sentes-te mais protegida e mesmo que algo aconteça sabes que a probabilidade de a pessoa ser reconhecida é maior. Aqui qualquer pessoa pode andar à vontade com as mil e uma tecnologias  ou com a malinha Prada (a verdadeira!!) à vista . Nunca vi ninguém a refugiar o Iphone ou Samsung de última geração ou o portátil todo xpto. Aqui, como já presenciei muitas vezes, até pessoas alcoolizadas sabem o limite. Se abusam, se se metem com alguém de forma imprópria ou perturbam (sejam em transportes públicos ou lojas, supermercados) são avisados uma vez e acreditem que acabam por sair no seu próprio passo só para não ter que falar com a polícia. Até situações de discussão que, em Portugal muito facilmente como já presenciei acaba em pancadaria, aqui ficam-se pelo palavreado e cada um segue caminho.

Das últimas vezes que tenho ido a Portugal sinto uma estranha diferença. Se ando até às tantas na rua tenho um receio enorme. Sempre a olhar para trás,sempre a olhar para os lados "E aquela rua não está muito iluminada, é melhor ir dar a volta" e por aí.

Não quero generalizar, mas devo admitir que aqui sinto uma segurança muito mais apertada e, em que a resposta por parte dos organismos de segurança é também mais assertivo e rápido.